Os efeitos da cocaína na anestesia

  • É fundamental que as equipes de saúde estejam familiarizadas com as possíveis reações adversas acarretadas pela interação medicamentosa entre a cocaína e outros tipos de substâncias e remédios. O mecanismo de ação da droga, sua neurofisiologia, sua farmacologia e as conseqüências fisiopatológicas decorrentes do seu consumo são de suma importância para os profissionais de saúde. O conhecimento e o reconhecimento precoce das complicações cardiovasculares relacionadas à cocaína, especialmente em relação aos procedimentos pré-operatórios, são essenciais para a administração apropriada da anestesia a pacientes usuários desta droga. O anestesiologista deve estar preparado, afinal, tanto anestesias locais quanto a anestesia geral apresentam riscos expressivos quando ministradas a pacientes usuários de cocaína Artigo de revisão foi publicado pela Revista Brasileira de Anestesiologia, em 2007, com o propósito de revisar as informações sobre a cocaína e suas interações com a anestesia. Os efeitos provocados, inclusive pelos derivados da cocaína - como o crack, a pasta base e a merla -, ocorrem por todas as vias (aspirada, inalada, endovenosa) e podem produzir aumento das pupilas (midríase), dor no peito, contrações musculares, precipitar o surgimento de convulsões e até coma. É sobre o sistema cardiovascular que os efeitos incidem mais intensamente e acarretam um aumento da pressão arterial, que provoca taquicardia. Em casos extremos, chega a produzir parada cardíaca. Devido à diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração, a droga e seus derivados podem levar a morte. O uso crônico da cocaína pode levar a rabdomiólise, que é a degeneração irreversível dos músculos esqueléticos. Os problemas decorrentes da interação entre anestesias e cocaína estão mais relacionados ao sistema cardiovascular. Na anestesia geral, o problema mais observado é a hipertensão arterial grave. Com os anestésicos locais o cuidado reside na possibilidade de aumento de toxicidade, pois a cocaína apresenta efeito aditivo quando associada aos medicamentos, além da hipovolemia, diminuição do volume sangüíneo, que acompanha o uso crônico de cocaína e da trombocitopenia (redução do número de plaquetas no sangue o que influencia na coagulação do sangue). Já a hipotensão arterial é observada na administração da anestesia espinal. O uso de anestesia regional com altas doses de anestésicos locais deve ser evitado, já que pressupor uma dose segura é um procedimento irrealizável. Na conclusão da pesquisa os autores mostram que a cocaína exerce seus efeitos em diversos receptores e por vários mecanismos, sendo difícil prever como ela irá interagir com fármacos que agem nos sistemas nervoso central e cardiovascular e que, portanto, saber o que ela pode acarretar e a compreensão e o reconhecimento precoce das complicações são essenciais para o manuseio adequado, para a determinação da melhor estratégia (embasada no histórico do paciente, além de exames pré-operatórios) e para o controle adequado desses pacientes. Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Brasileira de Anestesiologia, Rio de Janeiro, 57(3): 307-314, 2007. ISSN 0034-7094. Editada pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia.

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  • Fonte: OBID

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