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Cocaína

Definição: É uma substância psico-estimulante extraída das folhas de uma planta originária da América do Sul, popularmente chamada coca (Erythroxylon coca). Saiba mais...

Histórico: Considerada uma “planta divina” pelos Incas, as mais antigas folhas de coca foram descobertas na região do Peru em 2500 – 1800 a.C. No século XIX, na Europa, a cocaína era vendida em farmácias como tônico e anestésico. No século XX tornou-se uma substância ilícita, devido aos efeitos prejudiciais causados em seus usuários. Saiba mais...

Mecanismo de Ação:  A substância atua no cérebro modificando a comunicação entre os neurônios. A intensidade dos seus efeitos é maior quando utilizada por via endovenosa (injetada) ou inalada (fumada). Quando fumada, seus primeiros efeitos ocorrem em 10 a 15 segundos, enquanto que pela via injetada, entre 3 e 5 minutos. Pela via aspirada (cheirada) surgem após 10 a 15 minutos. Saiba mais...

Efeitos no organismo: Os efeitos imediatos mais comuns são euforia, suor, taquicardia, calafrios e diminuição da fadiga. O uso contínuo de cocaína pode provocar dependência e hipertensão e é fator de risco para infartos do miocárdio e AVCs – acidentes vasculares cerebrais (derrames). Pode também induzir a transtornos psiquiátricos. Saiba mais...

Conseqüências Negativas: No Brasil, a cocaína é a substância mais utilizada pelos usuários de drogas injetáveis. Muitas dessas pessoas compartilham agulhas e seringas e expõem-se ao contágio de várias doenças, entre elas hepatites, Aids, malária e dengue Saiba mais...

Consumo no Brasil: O uso de cocaína varia bastante na população brasileira, atingindo índices diferentes de acordo com o sexo, a idade, a renda e o local de residência dos grupos populacionais. Os homens são os principais usuários da droga, e seu consumo é observado com maior freqüência na faixa etária entre os 18 e 34 anos de idade. Na população em geral, 2,3% das pessoas entre 12 e 65 anos afirmam terem usado a droga pelo menos uma vez na vida. Entre estudantes de ensino médio e fundamental, 2% afirmaram já ter utilizado a droga pelo menos uma vez na vida. Saiba mais...

 


Definição
A cocaína é uma substância psico-estimulante extraída das folhas de uma planta originária da América do Sul, popularmente chamada coca (Erythroxylon coca). A cocaína pode ser consumida de diferentes formas. Pode ser aspirada sob forma de um sal, o cloridrato de cocaína, popularmente conhecido como “pó”, “farinha”, “neve” ou “branquinha”. Este sal é solúvel em água podendo ser consumido pela via intravenosa (“pelos canos”, “baque”).

A cocaína também pode ser encontrada sob a forma de base, conhecida como crack e merla (mela, mel ou melado), que por serem pouco solúveis em água, mas se volatilizarem quando aquecidas, são fumadas em “cachimbos” ou cigarros de tabaco ou maconha.

Há ainda a pasta de coca, um produto grosseiro, obtido das primeiras fases de extração de cocaína das folhas da planta quando tratadas com álcali (solvente orgânico como querosene ou gasolina) e ácido sulfúrico. Essa pasta contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em cigarros chamados “basukos”.

A planta da coca também pode ser usada sob a forma de chá, legal em alguns países da América do Sul, como Peru e Bolívia. Sob a forma de chá, pouca cocaína é extraída da folha, e, após sua ingestão por via oral a substância é metabolizada no organismo, processo que destrói boa parte da cocaína antes de chegar ao cérebro.

  Início


Histórico
Era conhecida como a “planta divina dos Incas”, as mais antigas folhas de coca foram descobertas na região do Peru em 2500 – 1800 a.C. Ao chegar a esta região, no século XVI, os espanhóis entraram em contato com os índios, que costumavam mascar folhas de coca no dia a dia. 
 

A partir do século XIX, na Europa, a droga teve seu uso difundido como um energético indicado para o tratamento de depressão, fadiga, neurastenia e dependência de derivados do ópio. A cocaína passou a ser vendida sob várias formas, nas farmácias, como medicação, além de ser encontrada em bares, na forma de vinho e refrigerante.

Até 1903, a Coca-Cola era um xarope de coca. Nessa época, os fabricantes, preocupados com o risco de dependência, retiraram a cocaína da fórmula, substituindo-a por cafeína. Em 1914, a venda e o uso de cocaína foram proibidos. O consumo quase desapareceu, retornando a partir da década de 60.

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Mecanismo de Ação
O mecanismo de ação da cocaína no Sistema Nervoso Central é aumentar a liberação e prolongar o tempo de atuação dos neurotransmissores dopamina, noradrenalina e serotonina, os quais são atuantes no cérebro. 
 

A dopamina é o nerotransmissor que se relaciona à dependência, visto que é este responsável pela sensação de prazer associada ao consumo da droga, bem como a outros comportamentos naturalmente gratificantes como comer, fazer sexo e saciar a sede. Além disso, está relacionada ao comportamento motor fino (atividades que demandam maior precisão e coordenação motora, como escrever) cognição/percepção e controle hormonal.

A noradrenalina e a serotonina se relacionam a algumas funções comuns: controle de humor, motivação e cognição/percepção. A noradrenalina se relaciona a mais duas funções, o comportamento motor fino e a manutenção da pressão arterial.

A cocaína é uma droga de efeito rápido e duração breve. Na forma de crack ou merla, essa droga é fumada, utilizando a via pulmonar. Pelo pulmão ser um órgão intensivamente vascularizado e com grande superfície para absorção, a droga chega rapidamente ao cérebro. Em dez a 15 segundos os primeiros efeitos já são percebidos e duram em torno de cinco minutos, enquanto se consumida sob a forma de pó, o efeito após cheirar surgem após dez a 15 minutos, e após injeção, em três a cinco minutos.

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Efeitos no Organismo
Os principais efeitos desencadeados pela cocaína são: sensação intensa de euforia e poder, estado de excitação, hiperatividade, insônia, falta de apetite,  perda da sensação de cansaço, dilatação de pupilas e aumento da temperatura corporal.

No caso do consumo pela via nasal, observa-se ressecamento das narinas gerada pela contração das artérias que irrigam a cavidade nasal. Quando o uso é crônico, há um prejuízo na irrigação sanguínea nasal, a qual pode culminar em necrose dessa área, que por sua vez pode resultar no desenvolvimento de ulcerações ou perfurações do septo nasal, parede cartilaginosa que separa as narinas.Esse psicotrópico também produz efeitos cardiovasculares, que são os principais responsáveis por sua letalidade. A pressão arterial pode aumentar e o coração bater mais rápido, chegando a produzir parada cardíaca. Esses efeitos são: taquicardia, hipertensão e palpitações. A morte pelo consumo excessivo da droga também pode ocorrer devido à diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam a respiração.

O apetite é outro fator que sofre influência do uso de cocaína, que é um potente inibidor de apetite. Quando o usuário é crônico, há uma significativa perda de peso. Em um mês, pode chegar a dez quilogramas a menos. Outros efeitos relacionados à perda de apetite são desnutrição, fraqueza e cansaço físico.

O crack e a merla podem produzir aumento das pupilas (midríase), que prejudica a visão; é a chamada “visão borrada”. Ainda podem provocar dor no peito, contrações musculares, convulsões e até coma. O uso crônico da cocaína pode levar a degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, conhecida como rabdomiólise.

►Consumo simultâneo de bebidas alcoólicas e cocaína
Consumir cocaína juntamente com bebidas alcoólicas produz conseqüências mais graves do que o uso destas substâncias separadamente. Ingerir o álcool aumenta a “fissura” (vontade incontrolável de sentir o prazer que a droga provoca) pela cocaína, os riscos de episódios de perda de controle e intoxicação mais grave.

►Cocaetileno
Quando se consome a cocaína juntamente com bebidas alcoólicas, fenômeno frequentemente observado entre usuários de cocaína, o fígado combina as duas drogas e produz uma terceira substância, denominada cocaetileno, que intensifica os efeitos euforizantes da droga, mas é extremamente prejudicial ao organismo e aumenta os riscos de morte súbita.

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 Consequências Negativas
O consumo da cocaína, em grande parte dos usuários, aumenta progressivamente, sendo necessário consumir maiores quantidades da substância para se atingir o efeito desejado. Este fenômeno caracteriza o desenvolvimento de um tipo de tolerância à droga, mas de natureza diversa da tolerância observada no uso de álcool e opiódes. 

No caso do crack e da merla, por terem um efeito de curtíssima duração, provocam um uso repetido numa mesma ocasião, sendo mais freqüente que o uso por outras vias de administração. Esse comportamento compulsivo leva o usuário à dependência muito mais rápido que as outras formas de uso de cocaína, e, conseqüentemente, a um custo monetário, de saúde e social muito maiores. A essa compulsão para utilizar a droga repetidamente dá-se o nome popular de “fissura”. Após o uso intenso e repetitivo, o usuário experimenta sensações muito desagradáveis, como cansaço e intensa depressão.

A tendência do usuário de cocaína é aumentar a dose da droga na tentativa de sentir efeitos mais intensos. Porém, essas quantidades maiores acabam por levar o usuário a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranóia (chamada entre eles de “nóia”). Esse efeito provoca um grande medo nos usuários, que passam a vigiar o local onde usam a droga e a ter uma grande desconfiança uns dos outros, o que acaba levando-os a situações extremas de agressividade. Eventualmente, podem ter alucinações e delírios. A esse conjunto de sintomas dá-se o nome de “psicose cocaínica”.

A libido, também, pode ser afetada entre alguns usuários de cocaína, segundo um estudo do Cebrid, realizado com um grupo de usuários de crack, 60 indivíduos, e outro de cloridrato de cocaína, 42 indivíduos, totalizando 102 participantes. A partir dessa pesquisa percebeu-se que os usuários de cloridrato de cocaína não apresentaram perda de libido. Já os usuários de crack apresentaram uma redução do apetite sexual: 72% das mulheres e 66% dos homens.  

Os dependentes de cocaína desenvolvem uma sensibilização a alguns efeitos, ou seja, ocorre o inverso da tolerância, e com uma dose pequena os efeitos já surgem. Porém, para angústia dos usuários, esses efeitos sensibilizados são os considerados desagradáveis, como a paranóia e outros efeitos indesejáveis, como agressividade e desconfiança.

Não há descrição convincente de uma síndrome de abstinência quando o usuário pára de usar cocaína abruptamente: não sente dores pelo corpo, cólicas ou náuseas. O efeito que se observa é uma grande “fissura”, desejar usar novamente a droga para sentir seus efeitos agradáveis, e não para diminuir ou abolir o sofrimento relacionado à abstinência de algumas drogas.

Comportamentos de risco estão associados aos usuários de cocaína. Inicialmente, se tinha a idéia de que os usuários da droga injetável estavam mais expostos ao risco de contrair doenças como hepatite, malária, dengue e Aids, pelo compartilhamento de seringa. Porém, o uso da droga por outras vias também gera comportamentos de risco como a prática de sexo desprotegido (sem camisinha), a qual expõe ao contágio pelas doenças citadas, além de outras doenças sexualmente transmissíveis.

Um exemplo são algumas mulheres dependentes da cocaína, as quais se prostituem para obter a droga, geralmente sob o efeito da “fissura” o que as faz perder a noção de perigo, não se protegendo nas relações sexuais.

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Consumo no Brasil
O II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil - estudo envolvendo as 108 maiores cidades do País, realizado em 2005 pela Secretaria Nacional Antidrogas – Senad em parceria com o Cebrid/Unifesp e que envolveu 7.939 pessoas, entre 12 e 65 anos – revelou que o uso de cocaína na vida foi relatado por 2,9% da população (5,4% dos homens e 1,2% das mulheres), no último ano por 0,7% e no último mês por 0,4%.
 
 
►Crack
A mesma pesquisa revela que em relação ao crack a proporção de indivíduos que relataram ter consumido crack pelo menos uma vez nos últimos 12 meses que antecederam a pesquisa (Brasil/2005) foi de 0,14% dentre os 7.939 entrevistados. Já a média de idade dos entrevistados que responderam positivamente à pergunta: “Que idade você tinha quando usou crack pela primeira vez?” foi de 23,18 anos.
 
 
►Merla
O II Levantamento também revelou que a proporção de indivíduos que relataram ter consumido merla pelo menos uma vez nos últimos 12 meses que antecederam a pesquisa (Brasil/2005) foi de 0,05% dentre os 7.939 entrevistados. Enquanto a média de idade que os indivíduos usaram merla pela primeira vez foi de 20,27 anos.
 
 
►Consumo entre estudantes e crianças/adolescentes em situação de rua
Em 2004, o Cebrid também realizou o V Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino, nas 27 Capitais Brasileiras, ouvindo 48.155 estudantes.

Neste estudo foi constatado que o uso de cocaína na vida foi relatado por 2% dos estudantes,  no último ano por 1,7% e no último mês por 1,3%. Quando relacionando as diferentes regiões do País, a Região Norte apresentou 2,9% de usuários, Região Sudeste 2,3% e a Região Centro-Oeste 2,1%.

Outra pesquisa realizada pelo Cebrid foi o Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas entre Crianças e Adolescentes em Situação de Rua nas 27 Capitais Brasileiras – 2003. Este estudo foi realizado com 2.807 crianças e adolescentes, entre dez e 18 anos, assistidos por instituições governamentais ou não-governamentais.

A partir deste levantamento verificou-se que os estados com maiores índices de uso de cocaína recente, ou seja, no último mês, foram: Rio de Janeiro (45,2%), São Paulo (31%), Boa Vista (26,5%), Brasília (23,9%) e Recife (20,3%). Quando reduzido aos usuários de crack, São Paulo, Recife, Curitiba e Vitória foram os estados com maior prevalência (entre 15 e 26%). Já em relação à merla, Brasília (19,3%), Goiânia (17,1%), Maranhão (15,5%) e Boa Vista (10,3%) foram os estados com maior prevalência

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