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Artigo Científico

  • Drogas na adolescência: Temores e reação dos pais

  • O uso de drogas na adolescência é um tema que preocupa famílias, educadores e profissionais da saúde. O interesse dos pesquisadores por esse assunto tem aumentado muito nas ultimas décadas. Os estudos investigam desde a idade em que ocorreu o primeiro uso até as principais influências ou fatores de risco para o estabelecimento do comportamento de consumo de substâncias, e os aspectos familiares envolvidos no processo.

    A precocidade do início do uso de álcool e outras drogas também tem sido alvo de preocupação. Vários estudos indicam que crianças e adolescentes estão iniciando cada vez mais cedo o uso destas substâncias.

    Alguns dos fatores fortemente associados ao uso de drogas por adolescentes são: a facilidade de obtenção e o consumo de drogas pelos amigos. Na adolescência, a necessidade de fazer parte de um grupo assume grande importância, pois ajuda na afirmação da própria identidade, aumenta as opções de lazer e reduz a solidão. As atitudes assumidas pelo grupo passam a ser tão ou mais importantes do que alguns valores familiares, pois dele vem parte do suporte emocional e a aceitação pelos outros componentes reforça a auto-estima.

    Existem inúmeros fatores relacionados ao início do uso de álcool e outras drogas, mas o aspecto familiar e o relacionamento com amigos têm recebido maior atenção. A presença de conflitos familiares e a influência dos amigos estão associadas ao aumento do risco para o uso de drogas.

    O presente artigo publicado pela Revista Psicologia: Teoria e Pratica investigou quais são os principais temores de pais de adolescentes e o que eles sentem em relação ao uso de drogas e ao futuro dos filhos. Avaliou também as reações frente ao problema, de forma que estes resultados pudessem contribuir para a elaboração de programas preventivos. Para isso foram entrevistados 87 pais de adolescentes, todos moradores da cidade de São Paulo, com filhos adolescentes estudantes com idade entre 12 e 19 anos.

    Os resultados mostram que a média de idade dos pais foi 42 anos, sendo que.73% eram do sexo feminino; 71% estavam casados e 26% separados; 64% moravam em casa própria. Quanto à religião, 64% eram católicos. Em relação à escolaridade, 73% tinham curso superior; 88% estavam empregados e 72% tinham renda familiar acima de 8 salários mínimos.

    Dos pais entrevistados 91% afirmaram conversar com os filhos sobre álcool, 78% sobre cigarro e 61% sobre inalantes. Sobre as drogas ilícitas, 80% dos pais afirmaram conversar sobre maconha e 68% sobre cocaína. O conteúdo das conversas é meramente informativo ou restringe-se ao compartilhamento dos temores pelas possíveis conseqüências do uso de drogas. Esse tipo de comunicação pode não ser uma forma efetiva de prevenção e, ao contrário, pode gerar sobre os filhos uma certa ansiedade e medo dos pais.

    Os pais relataram bastante preocupação com o futuro de seus filhos, no que diz respeito às drogas. Foram observados dois tipos principais de temor: os relacionados ao mundo externo (influências de amigos e marginalidade) e os relacionados às conseqüências pessoais do uso (dependência, overdose, internações).

    Diante do uso de drogas lícitas, os pais afirmam que conversariam com os filhos e encarariam o consumo com maior naturalidade. Já no caso de uso de drogas ilícitas, a maioria confessou que brigariam verbalmente.

     

    Embora seja senso comum a percepção do temor e da preocupação dos pais em relação à presença da droga na vida dos filhos, na literatura especializada são escassos os estudos que abordam esses aspectos. Os trabalhos recentes sobre prevenção ao uso de drogas têm demonstrado a pouca efetividade dos modelos baseados apenas na divulgação de informações ou no amedrontamento. È importante que programas de prevenção tenham como meta a promoção do bem estar e da competência dos adolescentes para lidar com situações de risco, incluir a participação de pais e educadores no processo.
     


    Texto resumido pelo OBID a partir do original publicado pela Revista Psicologia: Teoria e Prática, 2006, vol.8 (Supl 1): pág. 41-54. Editado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. ISSN 1516-3687


  • Fonte: OBID